E se o sistema operacional mais usado fosse o Linux …

Tags: , , — May 23, 2009 @ 5:54 pm

Recebi este texto de uma lista da qual participo. Ele foi previamente publicado no forum Darkside e, aparentemente, saiu primeiramente no site do Mandriva.

Trata-se de um ponto de vista bem-humorado, de um usuário GNU/Linux ao tentar migrar para windows…

“Eu compreendo o indivíduo que declarou ter problemas em passar do Windows para o Linux. Senti o mesmo ao experimentar o Windows. Decidi experimentá-lo, depois de alguns amigos que o usam a toda a hora me dizerem que era ótimo.

Fui até ao site da Microsoft para baixá-lo mas não estava lá disponível. Fiquei frustrado porque não consegui descobrir como se baixava o mesmo. Por fim tive que perguntar a um amigo e ele disse-me que tinha de o comprar.

De carro, fui até à Staples e pedi a um dos vendedores uma cópia do Windows. Ele perguntou-me qual, eu disse-lhe: “Quero a mais completa, por favor” e ele respondeu: “São $599, por favor…”. Soltei um palavrão e voltei para casa de mãos abanando.

Um dos meus amigos deu-me uma cópia do Windows XP mas disse-me para não dizer nada a ninguém. Achei estranho porque faço sempre cópias do Linux para qualquer pessoa que me peça e digo sempre para passar essa cópia a qualquer outra pessoa que esteja interessada, uma vez que já precisem dela. De qualquer forma coloquei o CD no leitor e esperei que iniciasse o sistema do “Live CD”. Não funcionou. A única coisa que fazia era perguntar-me se o queria instalar. Telefonei para um dos meus amigos, para saber se estava a fazer alguma asneira, mas ele disse-me: “O XP não roda o sistema diretamente do CD”.

Decidi, então, instalá-lo. Segui as instruções que apareciam na tela mas comecei a ficar nervoso porque não perguntou nada sobre os outros sistemas operacionais. Quando instalei o Linux, ele reconheceu que tinha outros sistemas operacionais na máquina e perguntou-me se queria criar uma nova partição e instalar o Linux lá. Voltei a ligar para o meu amigo e ele disse-me que o Windows elimina qualquer outro sistema operacional que encontra, ao instalar-se.

Fiz uma cópia de segurança das minhas coisas e joguei-me de cabeça na instalação. A instalação foi bastante simples, tirando a parte em que tive que escrever umas letras e um código. Tive de ligar outra vez para o meu amigo mas ele ficou chateado e veio escrever ele próprio o código. Voltou a dizer-me para não dizer nada a ninguém (!!!).Depois de reiniciar o computador, dei corrida de olhos pelo sistema.

Fiquei chocado quando me deixou mudar as configurações do sistema sem pedir o acesso de root. O meu amigo começou a ficar um bocado irritado quando liguei outra vez para ele, mas acabou por aparecer em minha casa. Disse-me que o acesso de root era dado logo na inicialização. Tratei logo de fazer outra conta de usuário normal e passei a usá-la.
Comecei a ficar confuso quando tentei fazer mudanças e o sistema, ao invés de pedir acesso de root, disse-me que tinha que fechar a sessão
de utilizador normal e abrir uma sessão como administrador. Comecei, então, a perceber porque é que tantas pessoas entram sempre como root e tive um arrepio na espinha.

Bom, mas já era hora de trabalhar. Fui ao menu “Iniciar -> Programas”, para abrir uma planilha que eu precisava terminar, mas não consegui encontrar a aplicação de planilhas. O meu amigo
disse-me que o Windows não trazia nenhuma aplicação dessas e que eu teria que a baixar da Internet. “Oh…”, pensei, “uma distribuição
básica”. Fui ao “Adicionar/Remover Programas” do painel de controle
(tal como no Linux), mas não havia lá programas para adicionar. Apenas deixava remover os programas. Não consegui encontrar o botão para adicionar aplicações. O meu amigo disse-me que eu tinha que procurar as aplicações por minha conta. Depois de muita pesquisa no Google, lá encontrei, descarreguei e instalei o OpenOffice.org.

Para dizer a verdade, diverti-me à brava com o Windows. Não entendi muito da terminologia… porque é que há um drive A, depois um C… onde é que está o drive B? Achei a distribuição demasiado básica, não
inclui nenhuma aplicação que seja verdadeiramente de produtividade e torna-se muito confuso procurá-la. O meu amigo disse-me que eu precisava de software anti-vírus e anti-spyware, mas o Windows não
vinha com nada disso.

Achei-o difícil, confuso e demasiado trabalhoso para mim. Pode ser bom para uma pessoa que seja do tipo técnico, como o meu amigo, mas eu fico-me pelo Linux, obrigado.”

ReactOS – Uma alternativa Livre ao MS Windows

Tags: , — May 10, 2008 @ 1:11 pm

Não faz muito tempo que eu esteva me perguntando se não existia já algum sistema operacional livre, baseado no, e totalmente compatível, com a família MS Windows. Imaginei que seria bem possível, já que podemos encontrar por aí algumas implementações livres do MS DOS, como o FreeDOS, mas após algumas buscas sem sucessos por Free Windows e similares, acabei perdendo as esperanças.

Por acaso encontrei ontem o site do ReactOS, um novo (ainda em fase Alpha) sistema operacional de código aberto, com um Kernel próprio, e visando compatibilidade total com aplicativos e drivers par MS Windows.

O ReactOS® é um sistema operativo Livre que visa atingir um elevado grau de compatibilidade com o Microsoft Windows® XP. O ReactOS tem como objetivo fornecer compatibilidade completa tanto com as aplicações como com os controladores desenvolvidos para os sistemas operativos da linha NT® da Microsoft®, por intermédio de uma arquitectura e uma interface pública de programação similares.

Ainda não sei de detalhes sobre o kernel do sistema, mas certamente este não é baseado em um kernel Linux ou FreeBSD, e também, por razões óbvias, não é decendente do kernel do Windows NT.

Diferente da API Wine, que visa compatibilidade com programas Windows no Linux e outros sistemas baseados em Unix, o ReactOS visa ser uma aternativa completa ao Windows, incluindo suporte a drivers e a interface já conhecida deste (ugh! aquela coisa feia… eparamos que eles não façam um tema Luna como padrão). Atualmente o sistema já suporta umapequena séria de aplicativos, e inclusive alguns jogos baseados em OpenGL (DirectX está a caminho).

Para quem estiver curioso para experimentar a novidade, a página de downloads do projeto disponibiliza não apenas uma imagem de instalação, como também um LiveCD e imagens para Qemu e VMware, assim qualquer um pode experimentá-lo sem precisar fazer uma nova partição.

Experamos que o projeto cresça para tornar-se uma alternativa completa ao Windows. :)

Virtualização – Rodando Windows XP sob Linux com Qemu

Tags: , , — April 24, 2008 @ 2:32 pm

2008-04-24_093557.pngVirtualização é a alma do negócio de hospedagem hoje em dia. Na semana passada contratei um novo servidor virtual, onde tenho acesso root e controle total, mas este não passa de uma máquina virtual, ou seja, é um sistema que roda dentro de outro. Mas não apenas para hospedagem web, virtualização também pode ser usada para rodar, por exemplo, um Windows XP dentro de sua distro preferida, eliminando a necessidade de um Dual Boot para rodar aplicações Windows.

Existem diversos emuladores de processadores disponíveis para criar máquinas virtuais, como o VMware, VirtualBox e QEMU, por exemplo, os três disponíveis para Linux. No meu caso utilizei o QEmu, isso porque já havia testado ele uma vez, e pelo que li a respeito achei que ele parece mais fácil de usar do que os outros.

ATENÇÃO: Caso precise rodar apenas algumas aplicações Windows, você poderá utilizar o Wine, uma implemetação livre da API do Windows que suporta uma boa gama de programas win32, podendo rodá-los nativamente no Linux, o que mostra uma performance muito melhor.

Também é possível encontrar facilmente programas Linux equivalentes para a maioria das aplicações conhecidas para Windows, veja aqui, aqui ou aqui.

Um Windows XP executado em uma máquina virtual tente a ficar um pouco lento. Para melhor a performance pode-mos utilizar o Qemu Accelerator (KQemu) ou o KVM (Kernel Based Virtual Machine), o que vou abordar aqui.

Primeiramente precisamos saber se seu kernel possui suporte para rodar o kvm. Digite o comando abaixo, como root, em um terminal:

# grep -E '^flags.*(vmx|svm)' /proc/cpuinfo

Se você obtiver algum resultado, então seu computador suporta virtualização de hardware e podemos continuar, caso contrário, verifique em sua BIOS se há opção para habilitar/desabilitar virtualização. Se não houver esta opção será melhor tentar utilizar o KQemu (tutorial aqui, em inglês).

Continuando… Primeiramente instale os pacotes qemu e kvm.

# aptitude install qemu kvm

Após isso carrege o módulo kvm próprio para seu processador (você pode adicionar o módulo em /etc/modules posteriormente para ser carregado na inicialização).

  • Para processadores AMD:
    # modprobe kvm-amd
  • Para processadores Intel:
    # modprobe kvm-intel

Além disso você precisará alterar o grupo de /dev/kvm para o grupo kvm e adicionar seu usuário a este grupo:

# chown root:kvm /dev/kvm
# adduser $USER kvm

Lembrando de sair e logar novamente para certificar-se que o novo grupo será usado. Agora começamos com a instalação em si.

Primeiramente você deve criar um arquivo de image, que será onde o Windows XP será instalado:

$ qemu-img create windows.img -f qcow 6G

A opção -f qcow economiza espaço, utilizando apenas o necessário para a instalação, até o limite especificado (6G). A desvantagem é que a imagem no formato qcow não pode ser montada no sistema, então se você deseja acessar os arquivos da imagem windows.img poderá omitir a opção ‘-f qcow’, mas lembrando que assim a imagem alocará todo o espaço especificado (ou seja, todos os 6G, mesmo que a instalação ocupe menos).

Para uma instalação completa do Windows XP você precisará de, no mínimo, 2GB ou 3GB. Porém é possível encontrar imagens de instalação modificadas (obviamente ilegais, mas não deve haver problema se você possui uma chave original do Windows XP) que ocupam menos de 500MB.

Após criada a imagem, insira o cd do windows em seu driver e execute a linha a seguir:

$ kvm -no-acpi -m 384 -cdrom /dev/cdrom -boot d windows.img

2008-04-23_220608.pngA opção -m especifica a quantidade de memória alocada para o sistema. 384 é um bom começo para o WinXP, caso disponha de mais memória você poderá alocar mais. Também é essencial que utilize a opção -no-acpi, já que o windows não terá acesso direto a placa mãe.

Caso deseje executar a instalação a partir de uma imagem, e não do CD, basta usar o comando como a seguir. No exemplo abaixo também alocamos mais memória.

$ kvm -no-acpi -m 512 -cdrom /backups/windows.iso -boot d windows.img

Caso a instalação trave em algum momento, basta fechar oqemu (feche a janela, ou pressione Ctrl+C no terminal que rodou os comandos) e iniciar novamente, que a instalação progredirá de onde parou.

IMPORTANTE:
A opção -boot d força o kvm/qemu a iniciar primeiro do cdrom, após concluir a instalação você poderá iniciar seu windows com o comando a seguir:

$ kvm -localtime -no-acpi -m 512 -cdrom /dev/cdrom windows.img

A opção -localtime ajusta o relógio da máquina virtual como a hora atual de seu sistema, e a opção -cdrom diz a máquina para tentar iniciar primeiramente do cdrom, útil para atualizações do windows ou coisas do gênero.

2008-04-24_093452.pngVocê pode criar um lançador ou item no menu, para seu windows, especificando o caminho completo para windows.img, assim você poderá iniciá-lo com apenas um clique.

Configurar Rede:

O Qemu cria uma rede virtual entre a máquina host (o seu Linux) e a guest (O Windows) e um servidor DHCP, o que é suficiente para transferir arquivos e navegar na internet.

Por padrão o ip do host fica 10.0.2.2 e do guest algo como 10.0.2.15. Assim, caso tenha algum servidor instalado no host você pode acessá-lo pelo ip 10.0.2.2 (como páginas web, no caso de um Apache ou Lighttpd rodando).

Caso a navegação não funcione, pode ser um problema de DNS. Assim, vá nas “Configurações de Rede” do Windows, selecione a “Conexão Local” e nas propriedades do IP coloque o DNS de sua preferência (mantenha o endereço IP como “Obter Automaticamente”). Caso não conheça nenhum, utilize este: 200.176.2.10. Este é um servidor DNS no Terra, mas utilizando um mais próximo de seu computador vai deixar a navegação mais rápida.

A rede em modo de usuário, que é o padrão do qemu, tem várias desvantagens, como por exemplo, não permitir pings. Se você deseja configurar uma rede completa, e deixar a máquina virtual visível para toda a rede, você precisará configurar interfaces de rede virtuais. Não vou explicar aqui porque ainda não testei esta possibilidade, mas basta pesquisar na documentação do qemu que você verá vários bons tutoriais.

O Qemu ainda tem várias outras opções, como gravar as alterações no sistema em um arquivo separado, mantendo a imagem instalada intacta. Para isso você deve criar uma imagem de overlay:

qemu-img create -b windows.img -f qcow windows.ovl

Então, para executar o windows utilize a imagem de overlay (adicione as opções que desejar):

kvm windows.ovl

Assim, caso a imagem do windows seja arruinada, por um vírus ou algum bug, por exemplo (nada muito incomum), basta remover a imagem de overlay e utilizar a imagem original.

A principal razão para mim decidir rodar um Windows XP numa máquina virtual é para poder rodar alguns jogos que não rodam no wine, por utilizarem nProtect/GameGuard. No meu caso ainda não habilitei o som na máquina virtual nem habilitei compartilhamento de arquivos, mas logo farei um novo post abordando esses assuntos.

Fontes: https://help.ubuntu.com/community/WindowsXPUnderQemuHowT, https://help.ubuntu.com/community/KVM

PS.: Apesar dos tutoriais terem sido tirados da wiki do ubuntu, estes podem ser utilizados para virtualização no Debian (o meu caso) ou qualquer outra distro.

Apple Software Update Instala Safari 3.1 no Windows

Tags: , , — March 23, 2008 @ 3:40 am

Com o lançamento recente da versão estável do Safari (3.1) para Windows, a Apple decidiu utilizar seu aplicativo de atualizações, distribuído com o iTunes, para instalar o novo browser na plataforma do tio Bill.

Apple Software Update, instalado SafariAgora, o ponto para debate, como foi criticado pelo CEO da Mozilla Foundation em seu blog, John Lilly, e que eu devo, até certo ponto, concordar, é que um aplicativo de atualização, deve ser usado para atualizações, e não para instalar novos aplicativos. Segundo Lilly, o que a Apple está fazendo é errado, ao usar seu software de atualização do iTunes para também instalar o seu navegador Safari e, como pode ser visto no screenshot ao lado, o Safari já vem marcado, mesmo que não esteja instalado no PC, o que pode causar que usuários instalem o navegador sem conhecimento ao pressionar Enter acidentalmente, ou apenas confirmar o download esperando que apenas seus software já instalados sejam atualizados.

O ponto que John Lilly quer chegar, e ao qual eu decididamente concordo, é que atualização de software é um procedimento delicado e nós usuários não desejamos nos preocupar com isto, bastando um único clique para deixar nossos softwares atualizados e seguros, clique este que, no caso do Apple Software Update, irá instalar uma nova peça de software totalmente nova e, possivelmente, indesejada.

Como comentou um membro do fórum do meiobit, o site Microsoft-watch publicou os maiores 5 motivos para a Apple querer o Safari no Windows:

  • A Apple ganha por cada pesquisa feita no campo de busca do Google na toolbar do Safari, dá pra fazer um bom dinheiro.
  • O iTunes usa a engine do Safari para navegação.
  • Há benefícios na sincronização de um iPhone/iPod Touch e do iPhone SDK tendo o Safari no computador.
  • Tendo mais software no Windows divulga a marca da Apple.
  • A Apple mostra-se a frente da Microsoft tendo um navegador que cumpre melhor padrões da Web.

…replicando com um exemplo do update-manager usado nos produtos da Mozilla:

“O Software-Update da Mozilla baixa e instala automaticamente atualizações para o Firefox, mas não pergunta se desejo instalar também o Thunderbird, que não está no Laptop.”

Considerando-se a quantidade de usuários por aí afora que utilizam-se do iTunes no Windows, como media player, e como gerenciador de biblioteca, além de ferramenta fundamental para manipulação de listas em seus produtos iPod / iPhone / iTouch (eu mesmo usei muito o iTunes antes de migrar para Linux), teremos, em poucas semanas, uma grande quantidade de novos usuários, também, do Safari.

Trata-se de uma jogada estratégica e, dependendo do ponto de vista, suja, da Apple.

Fontes: Meiobit, Microsoft Watch, John’s Blog

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